Coluna Crônicas da Cidade com Thiago Maroca

Namoro ao longo dos tempos

Coluna Crônicas da Cidade com Thiago Maroca

Em tempos modernos, o amor também se atualiza. Antigamente, o flerte na escola acontecia na hora do recreio, no ginásio (hoje fundamental II), quando alguém entregava a figurinha de uma bala Fregells no intervalo. A ideia era dedicar o que estivesse escrito na figurinha. Haviam frases como: “Sou louco por você”, “Me derreto todo por você” e “Por você eu roubo até a lua”. Nesse caso, roubar a lua implica ter que lutar com São Jorge e seu cavalo depois de ter matado o dragão. As outras frases são mais fáceis de serem interpretadas.

A paquera juvenil acontecia de modo inocente, a maioria dos garotos só começava a beijar na boca no final do ginásio, as meninas um pouco mais cedo, porém só queriam saber dos garotos do segundo grau (ensino médio). A gente ficava com raiva, mas contava os anos em que iríamos ser desejados pelas meninas mais novas. O excesso de espinhas e vergonha fazia com que nossos planos fossem por água abaixo. O namoro só dava certo quando a gente encontrava alguém que não soubesse de nossa triste vida na escola, alguém de fora, geralmente apresentado em alguma festinha regada a refrigerante e músicas animadas no toca-CD, que compartilhava três distintos artistas, que variavam entre É o Tchan, alguma música pop internacional e a música do Pimpolho.

Com o tempo, a internet foi entrando cada dia mais na vida das pessoas. No começo, postava-se uma foto no Fotolog, depois deixava-se um depoimento no Orkut, entrávamos no MSN ouvindo uma música. Por fim, o Facebook tornou mais intuitiva a interação, trazendo para a atualidade do Instagram e seus primos ricos e pobres (TikTok e Kwai).

A prova de amor está em colocar no feed uma foto da pessoa amada. Stories misteriosos contendo apenas partes do corpo de outro alguém constroem a estética de que você ainda não se decidiu se está namorando ou se tem mais de um ficante. O importante é estar disponível e no fluxo, mas, com esse frio, todo mundo gosta de ficar agarradinho debaixo de uma coberta, e o que se espera é que, pelo menos esse mês, você esteja amando ou sendo amada, com um pouquinho de exclusividade.

Mas o que mudou o relacionamento de todo mundo foi o WhatsApp: conversas privadas, áudios, fotos e vídeos de visualização única, ligação quase perfeita, um caos na vida do amante. Apesar dos recursos, são necessárias muitas investidas para uma dar certo, e quando isso acontece, tem que desfazer de todos os outros contatinhos para que a vida siga seu fluxo. Aí o namoro deslancha e tudo vai caminhando para uma vida a dois, com direito a emojis e figurinhas carinhosas e salientes. O ciúme também se apresenta no mundo virtual, surgem cobranças sobre o que está fazendo, por que está demorando a responder e, na atualidade, tem o “manda a localização”. O negócio está difícil para quem deseja manter mais de um relacionamento sério ativo. Para quem não deseja estar vivendo a euforia de amar alguém, eu sugiro que não namore, deixe claras suas intenções e aceite quando a mina aparecer em um relacionamento sério no status.

No mais, aproveitem o amor e sejam bregas.

Feliz Dia dos Namorados.

Fui!

Thiago Maroca é escritor, pai, mestre em educação e está namorando uma mulher incrível há quase nove anos. 

Manda um oi: thiagomaroca@gmail.com

Paula Rocha

Editora chefe do Jornal Diário do Entorno

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