Coluna Crônicas da Cidade com Thiago Maroca

Trabalhar é bom, descansar é melhor

Coluna Crônicas da Cidade com Thiago Maroca

A política é o tempero de qualquer conversa no Brasil. Alguns assuntos são sensíveis, outros mais espinhosos, mas não tem quem não fale de política nesse país. E, quando eu entro no assunto, não quero fazer menção à pessoa política, o agente, e sim ao sistema. Sentei-me com meu pai e começamos a divagar sobre o que mudaria caso o fim da escala 6×1 seja aprovado. Eu dei minha opinião e ele, a dele. No final, concordamos que o trabalhador recebe o mínimo e trabalha muito. Ele logo saltou para a classe dos juízes, exemplificando o pouco esforço e o excesso de folgas. Depois foi descendo para o serviço público até chegar nos professores, aí eu tive que intervir:
“Mas o que tem os professores?”
“A maioria não gosta de dar aula, vive de atestado.”
“Não generalize.”

Infelizmente, toda categoria tem um pessoal menos fã do trabalho, tanto no serviço público como na iniciativa privada. Todas as profissões têm maus exemplos, sejam policiais, sejam agentes funerários. O que não podemos é generalizar, até porque, para cada metro quadrado desse país intercontinental, nós vivemos realidades diferentes. Em nossa região, por exemplo, vivemos em um estado, Goiás, e dependemos muito do Distrito Federal para muitas situações e vice-versa. Somente aqui já teríamos diferenciações suficientes comparadas a qualquer região do país. Até os serviços oferecidos são diferentes, mas não podemos generalizar.
Quando a gente coloca todo mundo no mesmo balaio, até a solução fica simples. Trago o exemplo simples da educação: se todas as escolas fossem iguais, ninguém sairia buscando escolas melhores para seus filhos, fossem em outro bairro e até em outras cidades. Se todo plano de saúde funcionasse perfeitamente, não teríamos tantas pessoas fazendo vaquinhas para continuar seus tratamentos. Se a lei funcionasse para todos, ninguém processaria ninguém.
“Na minha época não tinha nada disso.”

Meu pai sempre encerra com essa frase, fazendo uma alusão aos anos 80 e 90, em que não havia nenhum problema e as pessoas andavam com cestos de morangos, entregando uns aos outros nas ruas e ninguém queria comer. A verdade é que as mudanças levam tempo e nós precisamos ter a sutileza de enxergar a grama saindo no cantinho do asfalto. Tudo leva tempo. Possivelmente não estejamos aqui para enxergar uma mudança completa, mas com certeza iremos ser as pessoas que irão iniciá-las. Se todos tiverem dois dias de folga, talvez sobre tempo até para ler um livro, fica a dica.
Faça sua parte e evite generalizar.
Fui!

Thiago Maroca é escritor, produtor audiovisual, chefe escoteiro e pai do Théo. Possui mestrado em Educação e é membro da Academia Valparaisense de Letras. Com uma folga a mais, com certeza vai se dedicar a aprender violão.

Manda um oi: thiagomaroca@gmail.com

Paula Rocha

Editora chefe do Jornal Diário do Entorno

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