Coluna Um Respiro no Olhar com Binho Perinotto

Formiguinha V

Coluna Um Respiro no Olhar com Binho Perinotto

Nós demos a elas

o nome de “Formigas”.

E a uma delas

a categoria de “Rainha”.

Para outras: “Operárias”.

 

Assim demos,

nós,

os “Grandes Elefantes Brancos”.

 

Nós escrevemos e dizemos

às “Operárias” trabalharem e se mexerem

em função da

Grande

“Rainha”.

 

Nós inventamos verdades

e acreditamos nestas mentiras.

 

Sabemos que é a “Rainha”

quem pari a prole.

E então por que não lhe demos o nome de

“Parteira”, ou “Mãe”, ou

“Aquela que vive para parir”?

Por que não interpretamos,

em uma visão inversa,

que é o corpo da “Rainha”

é que é explorado

por todas as outras “Formigas”?

 

Porque somos “Grandes Elefantes Brancos”

e adoramos nosso Marfins!

 

Hierarquizamos as Relações Sociais.

Naturalizamos o Explorar.

Diminuímos o poder do coletivo

e particularizamos com a concentração de poder

em um único ser.

 

Desigualamos “Operárias” e “Rainha”…

como se formiga fizesse Política.

 

E os operários trabalham e se mexem,

mas ainda que se articulem e mobilizem…

Fazem da outra “Rainha” e não “Mãe” ou “Parteira”.

Fazem de nós “Grandes Elefantes Brancos”,

e não “pequenos camundongos”.

Porque assim nos interessa!

Fábio Riani Costa Perinotto, ou o Binho.
Poeta desde criança: tinha 10 anos na primeira poesia que se tem registro. Poemas em saraus, em alguns livros, e na internet. É Meditador. Pedagogo. Há mais de 20 anos sua carreira é de articulador, produtor e gestor cultural – trabalha com gestão de políticas públicas desde o início dos Pontos de Cultura e Sistema Nacional de Cultura. É um Tuxaua Cultura Viva. Um Ser sendo e que faz Poesia no dia-a-dia quase sem querer, mas quer.
binho.rc.perinotto@gmail.com
https://www.instagram.com/binho.riani.perinotto/

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