Coluna Empreender com Aimée Resende

Sociedade X Aculturalização

Coluna Empreender com Aimée Resende

Costumo escrever a partir de um lugar que muitos poderiam chamar de pessimista, mas que, na verdade, nasce de um esforço constante de enxergar possibilidades.
Meu olhar é positivo, sim, mas não ingênuo. Ele carrega sempre uma pequena dose de pessimismo, porque toda reflexão honesta vem da experiência vivida e viver não é um processo linear nem absolutamente correto.
Ao observar a sociedade e os modos como estamos nos relacionando, algo tem me inquietado profundamente: a sensação de que, dentro de um sistema que deveria nos aproximar, estamos nos tornando cada vez mais distantes.
Comunico-me com mais facilidade através de uma tela do que com alguém que divide comigo o mesmo elevador, alguém que muitas vezes não responde a um simples “bom dia”. Isso me faz questionar se, enquanto seres humanos essencialmente sociais, não estamos perdendo parte da nossa lógica mais básica de convivência.
Nos últimos dias do ano, enquanto finalizava projetos para clientes, numa tentativa quase simbólica de não carregar pendências do ano anterior para o novo ciclo, percebi o quanto estive imersa em telas.
Computador, celular, notificações. Pouco espaço para o entorno. Essa ausência de olhar para fora, de perceber o que acontece ao redor, me trouxe um incômodo silencioso e uma ansiedade difícil de nomear. Não por negar essa realidade, afinal, ela não vai diminuir, mas por perceber o quanto precisamos conscientemente equilibrá-la.
Ver o céu, sentir o sol, olhar o verde, ouvir o mar, brincar com um animal de estimação ou simplesmente observar um filho jogando videogame são gestos pequenos, mas profundamente humanos, que exigem exercício e intenção.
Antes, o cuidado com o outro vinha primeiro e o supérfluo ficava para depois. Hoje, paradoxalmente, precisamos reaprender a fazer o caminho inverso: sair das telas para alimentar o que existe dentro de nós.
Esse processo de “aculturalização”, que muitos filósofos já apontaram como um movimento quase niilista, revela uma perda gradual da nossa forma de habitar o espaço, de viver a cultura, de sustentar vínculos reais.

Escondidos atrás de dispositivos, mostramos versões editadas de quem somos ou nos ocultamos por medo da não aceitação, o que acaba nos afastando ainda mais da clareza sobre o que queremos e quem desejamos ser.
Somos constantemente estimulados a consumir, adquirir, comparar, desejar. Diante disso, a pergunta essencial parece cada vez mais urgente: o que, de fato, queremos?
Talvez a resposta esteja no resgate da sensibilidade no olhar direto, na conversa sem filtros, na presença. Criar espaços de convivência, grupos de troca, experiências compartilhadas é uma forma de resistência. Porque socializar também é prática, é hábito, é exercício.
E isso atravessa tudo: o consumo, o marketing, as relações entre empresas e pessoas. O que começa a emergir é um desejo por algo mais orgânico, mais humano, mais próximo.
Não apenas para vender ou lucrar, mas para existir. Afinal, se dependemos uns dos outros para continuar existindo, nenhuma regra social será suficiente se perdermos aquilo que nos torna essencialmente humanos.

Pensar com Arte é o meio de pensar diferente!

Aimée é uma planejadora urbana com mais de 15 anos de experiência em Marketing, consultora de pós-graduação em NeuroMarketing, Artista Visual internacional e CEO da Tkart, uma empresa internacional de marketing.
www.tkarteiros.com
contato@tkarteiros.com
7999121-0775
@tkart_idea

Paula Rocha

Editora chefe do Jornal Diário do Entorno

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