Coluna Empreender com Aimée Resende

Por que tantas exigências, vida?

Coluna Empreender com Aimée Resende

Não foi apenas uma reunião, parecia uma consultoria-psico-business. O dia já estava atordoado, tudo dava errado. Só não choveu (glória!) e consegui tomar um café. Pelo menos um.
Ao chegar na cliente, esperei. Esperei muito, mais do que o normal. Ela sabia que eu estava ali, depois não sabia, depois esqueceu, até que lembrou, e quando me viu disse:

— Você é a massoterapeuta, né?
Naquele instante, pensei: Ela deve estar muito mais exausta mentalmente do que eu… Não sei o que havia vivido, mas era claro: sua presença era apenas material, sua alma pedia socorro.
Sentei-me. Ela, sem olhar para mim, fechou as mãos e disse com impaciência:
— Diga o que você tem para mim.
Deu vontade de sorrir e responder: Senhora, eu também queria ficar assim, mas não posso. Respirei fundo e segui:
— Pois bem, você comentou que queria uma logomarca… E o que mais você… – Colocou a mão pra frente, me interrompeu, sem olhar ainda pra mim, disse:
— Estou perdida. Não sei o que fazer nas minhas redes, não sei o que postar, o que escrever. Preciso criar autoridade, preciso saber como me mostrar.
Tentei explicar:
— Entendo perfeitamente. Para isso, eu preciso montar um orçamento dos serviços…
Mas fui cortada de novo:
— Não tem valores para me dizer? Não tem já algo para mim? O que você viu nas minhas redes que preciso melhorar?
As perguntas vinham em cascata, como se não fossem apenas dela. E percebi: as exigências que nos sufocam muitas vezes não nascem da nossa própria vontade, mas do mundo ao redor. De familiares, de responsabilidades, da busca incessante por perfeição. E, especialmente nós, mulheres, carregamos esse peso.
Então disse, firme:
— Eu só posso te ajudar quando souber qual é o seu objetivo.
O mundo dela parou. E naquele silêncio, ela finalmente me olhou de verdade. Eu estava ali, presente, disposta a escutá-la.
Ela respirou fundo e desabafou:
— Trabalho três vezes por semana no consultório, também no interior, e à noite dou aula na Universidade. Tenho um filho pequeno de quatro anos. O mais velho é diabético e eu vivo em alerta, com medo de que algo aconteça. Meu marido não aceita babá e me exige que eu dê conta de tudo, sempre organizada…
Ela levou a mão à cabeça, cansada, e eu já sentia o peso dela em mim. Até que, quase em súplica, completou:
— Ajude-me a saber o que fazer com as minhas redes sociais. Eu preciso ter mais pacientes. Eu sei que sou muito profissional, só estou cansada.
E foi aí que percebi: às vezes, não é sobre marketing, nem sobre redes sociais, nem sobre identidade visual. É sobre respirar. Sobre o espaço que a vida não nos dá, mas que precisamos arrancar, nem que seja num gole de café ou numa conversa inesperada.
Eu olhava para ela e pensava: quantas de nós estamos nesse mesmo lugar, tentando equilibrar pratinhos invisíveis, sorrindo para o mundo enquanto por dentro pedimos silêncio? Quantas vezes buscamos respostas rápidas, quando, na verdade, o que precisamos é de alguém que simplesmente nos escute?
Disse a ela:
— Você não precisa de perfeição, precisa de clareza. Não adianta postar todos os dias sem saber para onde está indo. Se o seu objetivo é trazer mais pacientes, é isso que vamos traçar. O resto, a gente organiza depois.
E pela primeira vez, vi um alívio no rosto dela. Não era solução mágica, mas era um ponto de partida. Uma permissão para não carregar tudo sozinha.
Saí daquela reunião com um peso e uma leveza. Peso, porque senti na pele o que é viver sob tantas cobranças. Leveza, porque percebi que, no fundo, todas nós precisamos apenas ser reconhecidas no caos.
Por que tantas exigências, vida?
Porque, talvez, seja no meio delas que descobrimos o valor de parar, olhar nos olhos de alguém e dizer: Você não está sozinha.
E naquele fim de tarde, cansada, com apenas um café tomado, compreendi algo simples e profundo: meu trabalho não é só sobre marcas, redes sociais ou estratégias. É sobre humanidade. É sobre dar voz a quem já não sabe mais como pedir ajuda.
E isso, mais do que qualquer logomarca, é o que realmente transforma.

Aimée é uma planejadora urbana com mais de 15 anos de experiência em Marketing, consultora de pós-graduação em NeuroMarketing, Artista Visual internacional e CEO da Tkart, uma empresa internacional de marketing.
www.tkarteiros.com
contato@tkarteiros.com
7999121-0775
@tkart_idea

 

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