I not have money
Coluna Crônicas da Cidade com Thiago Maroca

Ouvi essa frase na fila da lotérica, estava comprando raspadinhas, podemos dizer que elas são o jogo do tigrinho legalizado, você paga uma merrequinha, raspa e às vezes ganha outra de graça. Pela primeira vez eu ganhei mais do outra raspadinha, ganhei cenzão, gastei a minha sorte do ano, por isso não me convidem para comprar rifa ou sorteios similares, eu acho que vou ficar com meus cenzão de boa por aqui.
Mas o que eu estava falando mesmo? Ah, sim, sobre o senhor que falou em inglês na fila da lotérica, ele disse isso a um pedinte, mas ele não era americano, era baita de um brasileiro porque só a gente tem fé na loteria igual temos em nossa senhora (amém). O pior foi o pedinte responder.
“That’s okay”
Aí o negócio ficou louco. Parei para lembrar as tantas vezes que a gente escuta algumas palavras em inglês no nosso cotidiano, tem lugares que os banheiros, ou melhor, os bathrooms são escritos entre Girl and Boy, isso é o mínimo. Mas vamos criar uma narrativa para aquele senhor. Tenho quase certeza que tem um celular com Wi-Fi, que ele faz Login para assistir seus Streamings favorito, e quando está sem internet, ele fica offline. Já o pedinte não deve ter Smartphone, logo não consegue pedir no Delivery um fast food, a solução para fazer seu Coffee break é pedindo umas moedas, assim ele pode tomar um milkshake, comer um Hotdog e quem sabe comer uns Cookies.
Eu adoro ver como as pessoas falam inglês sem se preocuparem com sotaque ou entonação. Quando eu frequentava o cursinho, meus colegas de turma, faziam até bico para algumas expressões. Eu nunca vi um gringo se esforçando para falar português com sotaque nordestino, fica a dica aí. Lá tem sotaque e gíria também, eu sempre digo que os dois idiomas universais é o dinheiro e a pólvora.
Quando estive nos EUA, todos os comércios falavam um pouco de português, mas na rua eu raramente conseguia me comunicar, a sorte é que eu falo espanhol (Portunhol) e fui me virando com o auxílio de mímicas. E quando eu estive na áfrica, o policial apontou o fuzil em nossa direção, naquele momento ligou a tecla tradutora e eu comecei a entender suaíli automaticamente. A necessidade de sobreviver ensina mais rápido que anos de cursinho.
Às vezes, a gente não está a fim de entender ninguém, mas às vezes a gente entende mesmo sem querer. Tá na cara que o governo cometeu um deslize com os aposentados, por isso aquele senhor “Not have money” e o problema da população mais pobre é “Food and work”
Enquanto as coisas não ficam Good, a gente vai dando um jeito. Eu queria saber o que eles dizem para as expressões:
“Hoje a jiripoca vai piar”
“Quanto custa essa brincadeira?”
“Aí a porca torce o rabo”
“É muita frescura”
Vou cuidar, não estou de home office
Fui!
Thiago Maroca é escritor, brasileiro, amante da nossa cultura, mestre em educação,produtor audiovisual, mestre em educação, escoteiro, pai do Théo e uma meia dúzia de coisas que não cabem nesse espaço.
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