Senado aprova criação de Cadastro Nacional de Condenados por Violência Contra a Mulher
Proposta idealizada em Goiás prevê banco de dados unificado com informações de agressores que possuem decisão judicial definitiva

O Senado Federal aprovou, nesta segunda-feira (28/04), o Projeto de Lei nº 1.099/2024, que estabelece a criação de um cadastro nacional unificado de condenados por crimes de violência contra a mulher. A proposta, de autoria da deputada federal goiana Silvye Alves, segue agora para sanção presidencial.
O novo banco de dados centralizará informações cruciais para a segurança pública e a rede de proteção à mulher. Entre os dados que constarão no sistema, destacam-se:
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Identificação completa: Nome e documentos pessoais;
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Dados biométricos: Digitais e fotos;
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Localização: Endereço atualizado;
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Histórico criminal: Detalhes sobre o delito e o vínculo entre o agressor e a vítima.
A inclusão no cadastro ocorrerá apenas para processos com trânsito em julgado, ou seja, quando não houver mais possibilidade de recursos na Justiça.
O projeto abarca uma vasta gama de crimes previstos no Código Penal e na Lei Maria da Penha, incluindo:
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Feminicídio, estupro e estupro de vulnerável;
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Importunação e assédio sexual;
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Perseguição (stalking) e violência psicológica ou patrimonial;
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Registro não autorizado de intimidade sexual e estelionato sentimental.
A gestão do sistema será de responsabilidade da União, com a obrigatoriedade de integração entre órgãos de segurança federais e estaduais para garantir que as atualizações ocorram em tempo real. Caso sancionada, a medida entrará em vigor 60 dias após sua publicação oficial.
A necessidade de ferramentas como o cadastro nacional é reforçada pelos números alarmantes registrados em Goiás. Em 2025, o estado contabilizou 55.689 novos processos relacionados à violência doméstica, superando os dados de 2024.
Atualmente, Goiás ocupa a 7ª posição no ranking nacional deste tipo de criminalidade. O cenário em 2026 apresenta-se ainda mais crítico: em apenas quatro meses, o estado já registrou metade do número total de feminicídios ocorridos durante todo o ano anterior.
“A medida é um passo decisivo para monitorar agressores e prevenir que novos crimes ocorram por falta de comunicação entre as polícias e o Judiciário de diferentes estados”, aponta o texto da proposta.
A Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180) continua sendo o canal principal para denúncias e orientações, tendo recebido mais de 10 mil chamadas vindas de Goiás somente no último levantamento consolidado.



