Ao escritor: registre-se, publique-se, dê fé em tudo o que você faz
Coluna Cultura com Leandro Flores

Certo dia escrevi um texto que acabou gerando algumas reflexões, não só para mim, mas também para alguns amigos da escrita. Eu costumava lê-lo em apresentações no Dia da Poesia, em homenagens literárias. Cheguei até a transformá-lo em roteiro, desses que a gente escreve mais para si do que para o mundo. Curiosamente, nunca cheguei a publicá-lo.
Dizia o texto: “Acho que eu, enquanto poeta, nunca serei valorizado neste país… não pelo valor da minha poesia, não pelo julgamento meritório — se o que escrevo é bom ou ruim, acho que nem passamos por esse crivo, para falar a verdade…”.
Não era lástima, não era mimimi, não era vitimismo. O “eu”, entre aspas, sempre foi genérico. Não falo por mim apenas; falo do perfil do poeta comum, independente, um arquétipo que insiste em escrever mesmo quando o mundo parece não estar olhando.
Vivemos numa cultura massacrante, que nos envolve de forma cruel e egoísta. Não temos o costume de valorizar os nossos poetas em vida — isso é fato. Preferimos sempre o de fora, o inexequível, o utópico, o quimérico. O distante parece mais legítimo. O inalcançável, mais respeitável.
A internet, é verdade, quebrou um pouco essa lógica. As fronteiras ficaram transparentes, quase inexistentes. Tudo circula. Tudo alcança. Tudo chega. Mas esse mesmo espaço aberto trouxe sua face mais dura: a cópia indiscriminada, o uso sem autorização, a ausência de referência, a falta de citação de autoria, a apropriação indevida do que foi pensado, sentido e escrito por alguém.
Sou uma vítima disso.
Tenho várias frases, poemas, textos — até em trabalhos acadêmicos — sem qualquer menção ao meu nome. No começo, confesso, isso incomodava. Hoje, já não incomoda mais. Quer copiar, que copie. Eu tenho tudo registrado mesmo. Caso precise, sei exatamente onde buscar a prova da autoria.
É preciso proteger o que se escreve. Publicar com consciência. Cuidar da autoria. Tratar a própria criação com responsabilidade — não por vaidade, mas por sobrevivência.
Vivemos num mundo atravessado pela desonestidade. O poeta, o escritor, o criador de conteúdo tornou-se um ser vulnerável nessa cadeia alimentar de predadores sem autoria e sem escrúpulos literários. Para você ser presa das fraudes, dos plágios, dos “contracês” e dos “contravés” da vida, basta uma coisa: saber escrever.
Nada além disso.
Por isso, registre-se, publique-se, dê fé em tudo o que você faz. Não por medo — mas por respeito a si mesmo e à sua escrita.
Leandro Flores | Poeta, jornalista e advogado. Ativista cultural e fundador do Café com Poemas e do Movimento Cultivista Brasileiro. Autor de Sorriso de Pedra, dedica-se à valorização do sertão e à promoção da literatura independente.
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@leandroflores.poeta

