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Mamulengo Sem Fronteiras celebra 25 anos com extensa programação cultural no DF

Existência, resistência e resiliência: um legado vivo do Teatro de Bonecos Popular

Lembrando que as comemorações serão durante o ano de 2025, começaram no 2º Festival de teatro de bonecos populares do DF em janeiro no Sesi de Taguatinga, na segunda etapa serão apresentações dos espetáculos do repertório do grupo, exposição, aulas espetáculo e oficinas em várias escolas do DF, para finalizar as comemorações o grupo fará uma linda estreia de um novo espetáculo que já está em fase de construção para Dezembro.

Reconhecido nacionalmente como Patrimônio Cultural Imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 2015, o mamulengo recebeu, neste ano, o mesmo título pelo Condepac-DF, consolidando sua relevância como pilar vivo da cultura brasileira e reforçando o compromisso com a memória e a identidade popular.

Nesta semana, entre os dias 19 e 22 de agosto, o Mamulengo Sem Fronteiras leva apresentações, exposições e vivências formativas a escolas públicas do DF, promovendo o diálogo entre tradição e educação.
Há 25 anos, o Mamulengo Sem Fronteiras semeia sorrisos, colhe aplausos, espalha poesia, levando o teatro de Mamulengos aonde o povo está, as comemorações começou no início do ano com o segundo Festival de teatro de bonecos populares no Sesi de taguatinga, na segunda etapa das comemorações, irão passar por várias escolas públicas do DF. Confira a programação:

Dia 19/08 – Local: Escola Classe Arniqueira;
Dia 20/08 – Escola Classe 13 de Taguatinga Sul;
Dia 21/08 – Escola Classe Vicente Pires;
Dia 22/08 – Escola Classe 39 de Taguatinga Norte;
Dia 02/09 – Centro de Ensino Especial do Guará;
Dia 03/09 – Escola Classe 02 de Vicente Pires.

O projeto é realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal.

O projeto prevê ainda ações inclusivas e de acessibilidade: parte do material de divulgação será impresso em braille, as apresentações contarão com audiodescrição e intérpretes de Libras. A programação é gratuita e repleta de atividades culturais, como exposição, apresentações, aulas-espetáculo e muitas surpresas para todos o público presente.

O teatro de bonecos tem raízes tão antigas quanto as próprias histórias humanas. Desde os primeiros tempos, civilizações criaram figuras animadas para explicar o mundo e celebrar o sagrado. Na Grécia e em Roma, os bonecos ganham vida em festas e rituais; na Ásia, especialmente na China, Índia e Indonésia, surgiram como arte milenar, carregando mistérios e religiosidade.

Com as grandes navegações, os bonecos atravessaram oceanos e chegaram à Europa medieval, sendo usados em feiras, igrejas e espetáculos populares. Quando os portugueses aportaram no Brasil, trouxeram esses “presépios de fala” e “bonifrates”, que aqui ganharam sotaque novo. Misturados às culturas africanas e indígenas, transformaram-se em João Redondo, Babau e, principalmente, Mamulengo – expressão genuinamente popular e brasileira.

O Mamulengo, nascido das mãos do povo, tornou-se símbolo de resistência cultural, levando humor, crítica social e poesia às ruas e feiras.

Reconhecendo sua importância, em 2015 o Mamulengo foi registrado como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo IPHAN. E em 2025, sua força e tradição foram novamente celebradas ao ser declarado Patrimônio Cultural Imaterial do Distrito Federal, reafirmando seu lugar como uma das maiores riquezas da cultura popular brasileira.

Conhecido por diversos nomes – Mamulengo, Babau, Cassimiro Coco, João Redondo, entre outros – o teatro de bonecos é expressão genuína da cultura popular brasileira. Nascido da oralidade e do improviso, é ao mesmo tempo comédia e crítica, mito e memória.

 

No Distrito Federal, essa tradição floresceu graças aos fluxos migratórios, sendo hoje o território com maior concentração de grupos fora do Nordeste. Na pesquisa realizada para o catálogo do Iphan (2020), foram identificados 13 grupos atuantes em todas as regiões do DF. Ao longo de 25 anos, o Mamulengo Sem Fronteiras percorreu festivais na Europa, América do Sul e diversas regiões do Brasil, sempre carregando o riso ancestral e a sabedoria encantadora dos bonecos. Liderado pelo brincante e pesquisador Walter Cedro, o grupo é referência nacional e internacional na preservação dessa linguagem, que é ao mesmo tempo arte, ofício e resistência.

A coordenação Geral é de Walter Cedro, a produção executiva é assinada por Wagner Nascimento e Sandra Tavares com assistência Bião Cedro, Marcos Felipe, Andressa Sara e Emilly Sintra, Coordenação musical do mestre Keijin, Técnico de Som Douglas Masin e uma equipe técnica especializada em acessibilidade e comunicação. A ilustração é de Jô Oliveira, fotografia de Fernanda Queiroz, video make Caranguejo,audiodescrição de Lúcia Helena Corrêa da Fonseca, e interpretação em Libras por Ilson Lopes, Mauri Lopes e Josyane Alves. O projeto também se compromete com a solidariedade: durante a temporada, serão arrecadados alimentos não perecíveis para o Instituto Alegria de Viver, com entrega prevista para dezembro.

Serviço
Mamulengo Sem Fronteiras – 25 anos
De 19 a 22 de agosto de 2025
Das 8h às 17h
Escolas públicas do Distrito Federal
Entrada franca | Classificação livre
Mais informações: @mamulengosemfronteiras

 

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